quinta-feira, 23 de outubro de 2014
Diamante
Aquela garotinha assustada com o barulho dos trovões, que correu para baixo da cama enquanto a mãe dizia que tudo ficaria bem, era eu. Hoje foi demais para mim. Estou caindo, brilhando cada vez mais. Esse brilho é feito de dor. O comportamento estranho e esquivo, a conduta bruta, tudo resultado de palavras duras ditas a ela. Não admira que ela tente fugir de si mesma. Agora está sã e salva. Só que nem tão sã e nem tão salva. A garotinha, eu acredito, vive dentro de todos nós. Querendo chorar e gritar, mas a minha já se acostumou e faz força para não desistir. Cada palavra a deixa mais forte, daqui a pouco seria a maior. Poderia fazer isso, mas feriria as últimas Gardênias no jardim da esperança. A infância não teve dificuldades, mas nunca pensariam como palavras tem esfeitos negativos. Hoje lá está a garotinha, lendo ou escrevendo algo num caderno pequeno enquanto a menina de cabelos tingidos de rosa se delicia com cada lágrima da menininha. Um dia a menininha virará um Diamante, o mais belo de todos. Enquanto isso o sangue ruim da garota de cabelos rosa não virará nada além de carvão sem valor, por que esse sangue está carregado de maldade e simplesmente não presta.
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