quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Fogo

Vejo fogo onde quer que eu olhe. Os dragões me perseguem e as Bestas estão no meu encalço. A noite fria é meu único alivio. A escuridão é meu único amigo. Eu olho para Ela, é minha irmã e minha inimiga. Não conseguirei escapar, se fugir, a pegarão. Eu vejo fogo crescendo e devorando tudo o que toca. Só espero que lembrem de mim. Caro amigo, o tempo de escrever essa mensagem (que certamente será queimada) é o suficiente para decretar a minha morte que já estava à muito decretada. Ao mesmo tempo que tudo vir ás cinzas, tudo se renova. Tudo o que eu amava se perdeu nas chamas. E, as últimas coisas que ouvi foram um grito de raiva, um pedido de socorro, um choro desesperado. O que fazer quando não se pode fazer nada. Eu fui poupada da Peste Branca para quê? Só para ver as Gardênias que tanto tentei cultivar murcharem? O único jeito é deixar ir. Eu vejo o fogo crescendo e crescendo. Eu vejo o fogo devorando. Eu vejo o fogo ME devorando. Porém, meu fim não poderia ser assim tão indolor... Eu vi o fogo devorando Ela. Porém, por mais eu quisesse, esse não era meu fim. Com toda a certeza.

Nenhum comentário:

Postar um comentário